quarta-feira, 6 de março de 2013

Lectio Divina - 06/03/13


QUARTA-FEIRA -06/03/2013

PRIMEIRA LEITURA: Deuteronômio 4,1.5-9

• Se nos perguntássemos por que vivemos em um mundo tão corrupto, cheio de injustiça, infidelidade, violência, etc., talvez a resposta fosse: porque esquecemos de transmitir à nossos filhos a verdade e a fé. É triste que para muitos de nós, a única instrução que temos tido sobre a fé tem sido a catequese apressada para fazer a Primeira Comunhão. Em muitas de nossas casas nunca se fala de Deus, de seus mandamentos, dos valores e fundamentos do evangelho. O autor do Deuteronômio já advertia o povo de Israel: “Não esqueçam nem deixem que se separem de teu coração estes mandamentos… mas, transmita-os a teus filhos”. Quando o homem se afasta de Deus e de seus mandamentos, tudo se converte em relativismo. Deixemos em nossas casas um tempo para compartilhar a oração e a fé. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Cheios do sentido cristão da Quaresma e alimentados com tua Palavra, te pedimos, Senhor, que te sirvamos fielmente com nossas penitências e perseveremos unidos na caminhada. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 5,17-19

• O evangelho de hoje ensina como observar a lei de Deus de maneira que sua prática mostre em que consiste o pleno cumprimento da lei. Mateus escreve para ajudar as comunidades de judeus convertidos a superara as criticas dos irmãos de raça que os acusam dizendo: “Vocês são infiéis a lei de Moisés”. O próprio Jesus havia sido acusado de infidelidade a lei de Deus. Mateus trás a resposta esclarecedora de Jesus aos que o acusavam. Assim nos dá uma luz para ajudar as comunidades a resolver seus problemas.
• Usando imagens da vida cotidiana, com palavras simples e diretas, Jesus havia dito que a missão da comunidade, sua razão de ser, é ser sal e luz. Havia dado alguns conselhos a respeito da cada uma das imagens. A continuação vem dos três breves versículos do Evangelho de hoje.
• MATEUS 5,17-18: NEM UMA VÍRGULA DA LEI DEIXARÁ DE SER VÁLIDA. Havia várias tendências nas comunidades dos primeiros cristãos. Uns pensavam que não era necessário observar as leis do Antigo Testamento, pois, é a fé em Jesus que salva e não a observância da Lei (Rm 3,21-26). Outros aceitavam Jesus como Messias, porém, não aceitavam a liberdade do Espírito com que algumas comunidades viviam a presença de Jesus ressuscitado. Pensavam que eles, sendo judeus, deviam continuar observando as leis do AT (At 15,1-5). Havia, além disso, cristãos que viviam tão plenamente na liberdade de Espírito, que haviam deixado de olhar a vida de Jesus de Nazaré ou o AT e que diziam: “Anátema seja Jesus!” (1Cor 12,3). Diante destas tensões, Mateus procura um equilíbrio além dos extremos. A comunidade tem de ser um espaço, onde este equilíbrio possa ser alcançado e vivido. A resposta dada por Jesus aos que o criticavam continua bem atual para as comunidades: “Não vim para abolir a lei, mas, para dar-lhe pleno cumprimento!”. As comunidades não podiam estar contra a Lei, nem podiam fechar-se na observância da lei. Como Jesus, devia dar um passo e mostrar, na prática, qual é o objetivo que a lei quer alcançar na vida de cada pessoa, a saber, na prática perfeita do amor. 
• MATEUS 5,17-18: NEM UMA VÍRGULA DA LEI DEIXARÁ DE EXISTIR. E aos que queriam desfazer-se de toda lei, Mateus lembra outra palavra de Jesus: “Portanto, os que transgredirem um desses mandamentos menores e, assim ensinarem aos homens, será o mais pequeno no Reino dos Céus; ao contrário, os que observarem os mandamentos e o ensinarem, esse será grande no Reino dos Céus”. A grande inquietude do Evangelho de Mateus é mostrar que o AT, Jesus de Nazaré e a vida no Espírito Santo, não podem separar-se. Os três são partes do mesmo e único projeto de Deus e nos comunicam a certeza central da fé: o Deus de Abraão e Sara está presente no meio das comunidades pela fé em Jesus de Nazaré que nos manda seu Espírito.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Como vejo e vivo a lei de Deus: como horizonte de liberdade crescente ou como imposição que delimita minha liberdade?
• O que é que podemos fazer hoje para os irmãos e as irmãs que consideram toda esta discussão como superada e desatualizada? O que é que podemos aprender deles?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 147,12-13)
• Neste dia buscarei a oportunidade e compartilharei de uma maneira agradável algo bom do que a Palavra de Deus me deixa no dia a dia.







terça-feira, 5 de março de 2013

Lectio Divina - 05/03/13


TERÇA-FEIRA -05/03/2013

PRIMEIRA LEITURA: Daniel 3,25.34-43

• Para que possamos dizer que se tenha iniciado um processo sério de conversão, é necessária que, além do arrependimento, parte fundamental deste, se coloquem as bases para iniciar uma nova vida, uma vida vivida no Espírito. Nesta passagem vemos não só o arrependimento de Israel, mas, o fato de que agora querem “seguir, respeitar e encontrar” o Senhor. Pensemos em quantas vezes nós temos confessado só para não perder o costume, só porque a lei manda, só para cumprir. Nestas ocasiões temos “expressado” nosso pecado, porém: Quantas vezes, nos temos arrependido profundamente de maneira que já ao ir diante do sacerdote nos propusemos a mudar? E mudar significa modificar o que nos leva ao pecado e não só os propósitos que, na maioria das vezes ficam nisso: “bons propósitos”. Faça desta Quaresma uma verdadeira experiência de conversão. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Senhor, que tua graça não nos abandone, para que, entregues plenamente a teu serviço, sintamos sobre nós tua proteção continua. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 18,21-35

• Hoje o evangelho nos fala da necessidade do perdão. Não é fácil perdoar. Pois, certas feridas continuam machucando o coração. Existem pessoas que dizem: “Eu perdôo, porém, não esqueço”. Rancor, tensões, discussões, opiniões diferentes, ofensas, provocações dificultam o perdão e a reconciliação. Vamos meditar as palavras de Jesus que falam de reconciliação (Mt 18,21-22) e que nos trazem a parábola do perdão sem limites (Mt 18,23-35).
• MATEUS 18,21-22: PERDOAR SETENTA VEZES SETE! Jesus havia falado da importância do perdão e sobre a necessidade de saber acolher os irmãos e as irmãs para ajudá-los a reconciliar-se com a comunidade (Mt 18,15-20). Diante destas palavras de Jesus, Pedro pergunta: “quantas vezes tenho que perdoar meus irmãos que pecam contra mim? Até setenta vezes sete?”. O número sete indica uma perfeição. Neste caso, era sinônimo de sempre. Jesus vai mais longe na proposta de Pedro. Elimina todo e qualquer limite possível para o perdão: “Não te digo sete, mas, setenta vezes sete”. Ou seja, setenta vezes sempre! Pois, não existe proporção entre o perdão que recebemos de Deus e o perdão que devemos oferecer aos irmãos, como nos ensina a parábola do perdão sem limites.
• A expressão “setenta vezes sete” era uma alusão as palavras de Lamec que dizia: “Disse Lamec à suas mulheres: Eu matei um homem por uma ferida, uma criança por uma contusão. É que Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes!” (Gn 4,23-24). Jesus que inverter a espiral de violência que entrou no mundo pela desobediência de Adão e Eva, pelo assassinato de Abel e Caim e pela vingança de Lamec. Quando a violência desenfreada se apodera da vida, tudo se desfaz e a vida se desintegra. Surge o Dilúvio e aparece a Torre de Babel na dominação universal (Gn 2,1 a 11,32).
• MATEUS 18,23-35: A PARÁBOLA DO PERDÃO SEM LIMITES. A divida de dez mil talentos valia ao redor de 164 toneladas de ouro. A divida de cem denários valia 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre as duas. Ainda que, o devedor com mulher e filhos fosse trabalhar a vida inteira, jamais seriam capazes de juntar 164 toneladas de ouro. Diante do amor de Deus quer perdoa gratuitamente nossa divida de 164 toneladas de ouro, nada é mais justo de que nós perdoemos ao irmão uma divida insignificante de 30 gramas de ouro, setenta vezes sempre! O único limite da gratuidade do perdão de Deus é nossa incapacidade de perdoar o irmão! (Mt 18,34;6,15).
• A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. A sociedade do Império Romano era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. E nas comunidades cristãs o rigor de alguns na observância da Lei levada dentro da convivência dos mesmos critérios da sinagoga. Além disso, era final do século primeiro, nas comunidades cristãs começavam a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade entre rico e pobre. Em vez de ser a comunidade um espaço de acolhida, corria o risco de tornar-se um lugar de condenação e de conflitos. Mateus quer iluminar as comunidades, para que seja um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma Boa Nova para os pobres.




PARA REFLEXÃO PESSOAL


Por que é tão difícil perdoar?
• Em nossa comunidade, existe um espaço para a reconciliação? De que maneira?





ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 25,4-6)
• Hoje farei um exame de consciência profundo e honesto, e programarei minha próxima confissão para antes do término do mês.