quinta-feira, 12 de junho de 2014

Lectio Divina - 12/06/14


QUINTA-FEIRA -12/06/2014




PRIMEIRA LEITURA: 1Reis 18,41-46


É muito provável que quem não conhece Deus pudesse dizer ao terminar de ler este texto: “Seguramente que o escritor exagera ou se trata de algum gênero literário, pois, como é possível que uma pessoa possa correr mais que um cavalo?”. Para nós os cristãos, que somos testemunhos do poder de Deus, não só na ressurreição de Jesus, mas sim, em todas as mostras que cotidianamente nos dá o Senhor de seu poder, o que temos ouvido só confirma que para nosso Deus não existe nada impossível. Diante disto, porque não confiar plenamente no Senhor? Jesus nos tem dito no evangelho: “Tudo o que pedirem em meu nome lhes será concedido e quando Jesus disse “tudo”, refere-se precisamente ao TODO”. Algumas pessoas dirão: “Eu tenho pedido e nada me foi concedido”. A quem diz isto, devemos dizer-lhes que não é porque Deus não pode fazer, mas sim, porque Deus, em sua infinita bondade e sabedoria, sabe que não é bom para eles ou pra os que vivem com eles, e decide não conceder, já que como bom Pai jamais nos daria algo que pudéssemos lastimar ou que afetasse nossa salvação. Por isso, não desconfie nem por um momento de nosso amoroso Deus, e espere Nele, pois, Ele tem poder para fazer qualquer coisa que seja de proveito para nós e para os nossos.


ORAÇÃO INICIAL 

Que teu povo, Senhor, como preparação para as festas de Páscoa se entregue às penitências quaresmais, e que nossa austeridade comunitária sirva para a renovação espiritual de teus fiéis. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Mateus 5,20-26


O texto do evangelho de hoje é parte de uma unidade maior de Mt 5,20 a Mt 5,48. Neste Mateus mostra como Jesus interpreta e explica a lei de Deus. Por cinco vezes repete a frase: “Haveis ouvido que se disse aos antepassados” (Mt 5,21.27.33.38.43). Um pouco antes havia dito: “Não pensem que vim acabar com a Lei e os Profetas. Não vim para acabar, mas sim, dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). A atitude de Jesus diante da lei é, ao mesmo tempo, de ruptura e de continuidade. Rompe com as interpretações erradas, porém, mantém firme o objetivo que a lei quer alcançar: a prática de maior justiça é o Amor.

Mateus 5,20: A JUSTIÇA MAIOR QUE A JUSTIÇA DOS FARISEUS. Este primeiro versículo da a chave geral de tudo o que segue no conjunto de Mt 5,20-48. A palavra Justiça não aparece nem uma vez em Marcos, e sete vezes no Evangelho de Mateus (Mt 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). Isto tem a ver com a situação das comunidades para as quais Mateus escreve. O ideal religioso dos judeus da época era “ser justo diante de Deus”. Os fariseus ensinavam: “A pessoa alcança a justiça diante de Deus quando chega a observar todas as normas da lei em todos seus detalhes!”. Este ensinamento engendrava uma opressão legalista e trazia muita angustia para as pessoas, pois, era muito difícil que alguém observasse todas as normas (cf. Rm 7,21-24). Por isto, Mateus recorre as palavras de Jesus sobre a justiça, mostrando que tem que superar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). Para Jesus, a justiça não vem do que eu faço por Deus observando a lei, mas sim, do que Deus faz por mim, acolhendo-me como filho ou filha. O novo ideal que Jesus propõe é este: “Ser perfeito como o Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro acolher e perdoar as pessoas como Deus me acolhe e me perdoa, apesar de meus defeitos e pecados.

Por meio de cinco exemplos bem concretos, Jesus mostrará como fazer para alcançar esta justiça maior que supera a justiça dos escribas e dos fariseus. Como veremos, o evangelho de hoje trás o primeiro exemplo relacionado com a nova interpretação do quinto mandamento: Não matarás! Jesus vai revelar o que Deus queria quando entregou este mandamento a Moisés.

Mateus 5,21-22: A LEI DIZ “NÃO MATARÁS!” (Ex 20,13). Para observar plenamente este quinto mandamento não basta evitar o assassinato. É preciso arrancar de dentro de si tudo aquilo que de uma maneira ou de outra pode levar ao assassinato, como por exemplo, raiva, ódio, desejo de vingança, exploração, insulto, etc.

Mateus 5,23-24: O CULTO PERFEITO QUE DEUS QUER. Para poder ser aceito por Deus e estar unido a Ele, é preciso estar reconciliado com o irmão, com a irmã. Antes da destruição do Templo, no ano 70, quando os judeus cristãos participavam nas romarias a Jerusalém para fazer suas oferendas ao altar e pagar suas promessas, eles se lembravam sempre desta frase de Jesus. Nos anos 80, no momento em que Mateus escreve, o Templo e o Altar já não existiam. Haviam sido destruídos pelos romanos. A comunidade e a celebração comunitária, passam a ser o Templo e o Altar de Deus. 

Mateus 5,25-26: RECONCILIAR. Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação. Isto mostra que, nas comunidades daquela época, haviam muitas tensões entre grupos radicais com tendências diferentes e até opostas. Ninguém queria ceder diante do outro. Não havia diálogo. Mateus ilumina esta situação com palavras de Jesus sobre a reconciliação que pedem acolhida e compreensão. Pois, o único pecado que Deus não consegue perdoar é nossa falta de perdão para com os outros (Mt 6,14). Por isto, procure a reconciliação, antes que seja demasiado tarde.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Hoje são muitas as pessoas que gritam “Justiça”. Qual é o sentido que tem para mim a justiça evangélica?
Como me comporto diante dos que não me aceitam como sou? Como se tem comportado Jesus diante dos que não o aceitam? 



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 65,10)
Hoje farei algo que sei que devo fazer, porém, que sempre tenho evitado por considerar fora de meu alcance, pedirei ao Senhor e o farei.






quarta-feira, 11 de junho de 2014

Lectio Divina - 11/06/14


QUARTA-FEIRA -11/06/2014



PRIMEIRA LEITURA: Atos 11,21-26;13,1-3


Quando os profetas cristãos anunciaram que estava para acontecer uma grande fome, a Igreja de Antioquia enviou ajuda às Igrejas da Judéia, demonstrando gratidão pelos missionários que lhes foram enviados. Quando Barnabé e Saulo foram “enviados pelo Espírito Santo”, não quer dizer que isso estava de acordo com suas inspirações particulares. O Espírito operou por intermédio dos chefes da comunidade que jejuaram e rezaram pedindo orientação. Por meio de uma profecia, o Espírito escolheu Barnabé e Saulo. Então, os chefes os enviaram, o que subentende uma prestação de contas da missão perante esses chefes, o que se confirma com o relatório à Igreja de Antioquia por ocasião de seu regresso.



ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, fonte de todo o bem, ouça sem cessar nossas súplicas, e conceda-nos, inspirados por ti, pensar no que é reto e cumprir com sua ajuda. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 10,7-13


Hoje é dia de São Barnabé. O evangelho fala das instruções de Jesus aos discípulos sobre como anunciar a Boa Nova do Reino as “ovelhas perdidas de Israel”. Eles devem: (a)-cuidar dos enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios; (b)-anunciar gratuitamente aquilo que gratuitamente receberam; (c)-não levar nem ouro , nem sandálias, nem bastão, nem alforje, nem sapatos, nem duas túnicas; (d)-procurar uma casa onde possam ser hospedados até terminar a missão; (e)-ser portadores da paz.

No tempo de Jesus havia diversos movimentos que, como Jesus, buscava uma nova maneira de viver e conviver, por exemplo, João Batista, os fariseus, os essênios e outros. Muitos deles formavam comunidades de discípulos (Jo 1,35: Lc 11,1; At 19,3) e tinham seus missionários (Mt 23,15). Porém, havia uma grande diferença! Por exemplo, os fariseus, quando iam para uma missão, iam prevenidos. Pensavam que não podiam confiar na comida das pessoas que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isso eles levavam alforje e dinheiro para poder cuidar de sua própria comida. Assim, as observâncias da Lei de pureza, no lugar de ajudar a superar as divisões, enfraqueciam ainda mais a vivência dos valores comunitários. A proposta de Jesus é diferente. Seu método ultrapassa nos conselhos que dá aos apóstolos quando os envia em missão. Por meio das instruções, procura renovar e reorganizar as comunidades da Galiléa para que seja novamente uma expressão da Aliança, uma mostra do Reino de Deus.

Mateus 10,7: O ANUNCIO DA PROXIMIDADE DO REINO. Jesus envia seus discípulos para anunciar a Boa Nova. Eles devem dizer: “O Reino dos céus está próximo!”. O que é que significa esta proximidade? Não significa a proximidade no tempo no sentido que basta esperar um pouco e em breve o Reino aparecerá. “O Reino está próximo” significa que já está a nosso alcance, já “está no meio de nós” (Lc 17,21). É preciso adquirir um novo olhar para poder perceber sua presença ou proximidade. A vinda do Reino não é fruto de nossa observância, como queriam os fariseus, mas sim, se faz presente, gratuitamente, nas ações que Jesus recomenda aos apóstolos: cuidar dos enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios.

Mateus 10,8: CURAR, RESSUSCITAR, PURIFICAR, EXPULSAR. Enfermos, mortos, leprosos, possuídos eram os excluídos da convivência, e eram excluídos em nome de Deus. Não podiam participar na vida comunitária. Jesus manda que estas pessoas excluídas sejam acolhidas, incluídas. E nestes gestos de acolhida e inclusão, o Reino se faz presente. Pois, nestes gestos de gratidão humana transparece o amor gratuito de Deus que reconstruiu a convivência humana e que rejeita as relações inter-pessoais. 

Mateus 10,9-10: NÃO LEVAR NADA. Ao contrário dos outros missionários, os apóstolos não podem levar nada: “Não levais ouro, nem prata, nem cobre em vossas cintas, nem alforje pelo caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o trabalhador merece seu sustento”. A única coisa que podem levar é a Paz (Mt 10,13). Isto significa que devem confiar na hospitalidade e no compartilhar das pessoas. Pois, o discípulo que vai sem levar nada apenas a paz, mostra que confia nas pessoas. Acredita que vai ser recebido, e as pessoas se sentem provocadas, valorizadas, respeitadas e confirmadas. O trabalhador tem direito a seu alimento. Por meio da prática, o discípulo critica as leis da exclusão e resgata os valores do compartilhar e da convivência comunitária.

Mateus 10,11-13: CONVIVER E INTEGRAR-SE NA COMUNIDADE. Ao chegar a algum lugar os discípulos devem escolher uma casa de paz e ali devem permanecer até o fim. Não devem andar de casa em casa, mas, conviver de forma estável. Devem fazer-se membro da comunidade e trabalhar pela paz, isto é, pela reconstrução das relações humanas que favorecem a paz. Por meio desta prática, resgatam uma antiga tradição do povo, criticam a cultura de acumulação que marcava a política do Império Romano e anunciam um novo modelo de convivência. 

RESUMINDO: as ações recomendadas por Jesus para o anuncio do Reino são estas: acolher os excluídos, confiar na hospitalidade, provocar a partilha em comum, conviver de modo estável e de forma pacífica. Se isto acontece, então, podem e devem gritar aos quatro ventos: “O Reino já chegou!”. Anunciar o Reino não é em primeiro lugar ensinar verdades e doutrinas, catecismo ou direito canônico, mas, levar as pessoas a uma nova maneira de viver e conviver, a uma nova maneira de agir e de pensar a partir da Boa Nova, trazida por Jesus: que Deus é Pai/Mãe e que, portanto, todos somos irmãos e irmãs.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Por que é que todas estas atitudes recomendadas por Jesus são sinal da chegada do Reino de Deus?
Como realizar hoje o que Jesus pede: “não levar alforje”, “não andar de casa em casa”?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 98,1)
Permita que o amor de Deus encha hoje tua vida. Abra-lhe teu coração.