sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Lectio Divina - 16/01/14


DIA 16/01/15
PRIMEIRA LEITURA à Hebreus 4,1-5.11
  • Um dos principais problemas com os quais o homem tem-se encontrado em toda sua história é a “infidelidade”. Em geral, não é fácil comprometer-nos, porém, logo, com o passar do tempo, sobretudo, quando o cansaço nos acomete, é fácil retratar-nos e esquecer nossas promessas e compromissos. O texto nos lembra que isto foi o que aconteceu aos israelitas, isto continua sendo um risco latente para a comunidade cristã. Por isso, nos convida e exorta a fidelidade, de maneira que possamos participar do descanso de Deus, que no final de nossa vida, não é outra coisa senão o Céu, porém, que desde já esta terra experimenta como uma profunda paz e alegria interior. O preço da fidelidade é alto, porém, vale a pena pagá-lo.
ORAÇÃO INICIAL
  • Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.
REFLEXÃO à Marcos 2,1-12
  • Em Marcos 1,1-15, Marcos nos faz ver como devemos preparar e divulgar a Boa Nova de Deus. Em Marcos 1,16-45, nos faz ver qual é o objetivo da Boa Nova, e qual é a missão da comunidade. Agora, em Mc 2.1 até 3,6, aparece o efeito do anuncio da Boa Nova. Uma comunidade fiel ao evangelho vive valores que contrastam com os interesses da sociedade que a rodeia. Por isso, um dos efeitos do anuncio da Boa Nova, é o conflito com aqueles que defendem os interesses da sociedade. Marcos fala de cinco conflitos que o anuncio da Boa Nova causa a Jesus.
  • Nos anos 70, época na que se escreve seu evangelho, havia muitos conflitos na vida das comunidades, porém, nem sempre sabiam como comportar-se diante das acusações que vinham de parte das autoridades romanas e dos lideres judeus. Este conjunto de cinco conflitos de Mc 2,1 a 3,6, servia como uma espécie de abecedário para orientar as comunidades, tanto de ontem como as de hoje.Porque o conflito não é um incidente de percurso, mas, parte integrante do caminho.
  • A solidariedade dos amigos faz que o paralítico obtenha o perdão dos pecados. Jesus está de volta a Cafarnaum. Havia muita gente diante da porta da casa. Acolhe a todos e começa a ensinar. Ensinar, falar de Deus era o que Jesus mais fazia. Chega um paralítico, carregado por quatro pessoas. Jesus é sua única esperança. Eles não duvidam, sobem no telhado e abrem um buraco no teto. Devia ser uma casa pobre, um barraco coberto de folhas. Descem o homem e o colocam diante de Jesus. Jesus, vendo a fé daquelas pessoas, diz ao paralítico: Teus pecados estão perdoados! Naquele tempo, o povo pensava que os defeitos físicos (paralítico) fosse um castigo de Deus por algum pecado. Os doutores ensinavam que essa pessoa impura se tornara incapaz de aproximar-se de Deus. Por isto, os enfermos, os pobres se sentiam rejeitados por Deus. Porém, Jesus não pensava assim! Aquela fé tão grande era um sinal evidente de que o paralítico estava sendo acolhido por Deus. Por isso, declarou: Teus pecados estão perdoados! Isto é, “Deus não se afasta de ti!”. Com esta afirmação Jesus nega que a paralisia fosse um castigo devido ao pecado do homem.
  • Jesus é acusado de blasfêmia pelos donos do poder. A afirmação de Jesus era contrária ao catecismo da época. Não combinava com a idéia que tinham de Deus. Por isso, se revoltam e acusam Jesus dizendo: Ele está zombando de Deus! Para eles, só Deus podia perdoar pecados. E só o sacerdote podia declarar que alguém havia sido perdoado e purificado. Como é que Jesus, homem sem estudos, leigo, um simples carpinteiro, podia declarar as pessoas perdoadas e purificadas dos pecados? E havia, além disso, outro motivo que os levava a criticar Jesus. Eles provavelmente estariam pensando: “Se fosse verdade o que Jesus estava dizendo, iriam perder todo seu poder! E iriam perder a fonte de sua renda”.
  • Curando, Jesus demonstra que tem poder de perdoar os pecados. Jesus percebe a crítica. Por isso pergunta: O que é mais fácil dizer ao paralítico: Teus pecados estão perdoados, ou, levanta-te toma tua cama e anda? É muito mais fácil dizer: “Teus pecados estão perdoados”. Porém, se digo: “Levanta-te e anda!”, aí todos podem comprovar se tenho ou não esse poder de curar. Por isto, para mostrar que tinha o poder de perdoar os pecados em nome de Deus, Jesus diz ao paralítico: Levanta-te, toma tua cama e vai para casa! O homem se curou. Assim, mediante um milagre demonstrou que a paralisia do homem não era um castigo de Deus, e mostrou que a fé dos pobres é uma prova de que Deus os acolhe em seu amor.
  • A mensagem do milagre e a reação das pessoas. O paralítico se levanta, toma a cama, começa a andar e todos dizem: Nunca vimos coisa igual! Este milagre revelou três coisas muito importantes: 1)- As enfermidades das pessoas não são um castigo por seus pecados. 2)- Jesus abre um novo caminho para chegar até Deus. Aquilo que o sistema chamava impureza não era impedimento para que as pessoas se aproximassem de Deus. 3)- O rosto de Deus revelado através da atitude de Jesus não é o rosto severo do Deus revelado pela atitude dos doutores.
  • Isto lembra o que disse um “dependente de drogas” que se recuperou e que agora é membro de uma comunidade em Curitiba, disse: “Me criei na religião católica. Deixei de participar. Meus pais eram muito praticantes e queriam que os filhos fossem com eles. A gente era obrigada a ir à igreja sempre, todos os domingos e festas. E quando não ia, diziam: “Deus castiga!”. Eu não com gosto, e quando cresci, pouco a pouco fui deixando. O Deus de meus pais não gostava de mim. Não conseguia entender como Deus, criador do mundo, se convertera em um juiz para mim, menino do campo, ameaçando-me com o castigo e com o inferno. Eu gostava mais do Deus de meu tio, que não pisava na igreja, porém, todos os dias, sem faltar, comprava o dobro do pão que necessitava para dar aos pobres!”.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
·         Você gosta do Deus do tio, ou, do Deus dos pais do ex-drogado?
·         Qual é o rosto de Deus que revelo aos demais através do meu comportamento?
ORAÇÃO FINAL
·         (SALMO 78, 3-4)
·         Hoje oferecerei algum sacrifício por cada coisa pequena ou grande, na qual reconheça que durante o dia fui infiel a Deus.





quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Lectio Divina - 15/01/15


DIA 15/01/15
PRIMEIRA LEITURA -- Hebreus 3,7-14
  • Um dos perigos latentes de nossa comunidade cristã é o que poderia chamar: O risco da normalidade. Isto é, o pensar que nossa vida “não é tão má”, que não somos grandes pecadores, pois, não matamos, não roubamos bancos, vamos a missa aos domingos, etc. Tudo isto é claramente uma forma de endurecer o coração. Deus nos chamou para ser SANTOS, a mediocridade na vida espiritual, sobretudo, em nossa relação com Deus, esfria o coração e o endurece. Por isso, o autor desta carta convida a comunidade a animar-se mutuamente para que nenhum pecado chegue a endurecer seu coração. Esta ajuda deve ser diária, já que é o único tempo que temos: o ontem já não existe e o amanhã ainda não chegou. Tire um tempo para compartilhar tua fé com os demais e não permitas jamais que chegue a tua vida o “risco da normalidade!”.
ORAÇÃO INICIAL
  • Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.
REFLEXÃO -- Marcos 1,40-45
  • Acolhendo e curando o leproso Jesus revela um novo rosto de Deus. Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído, um impuro. Devia viver afastado. Porém, aquele leproso tinha muito valor. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. E grita: “Se queres, podes me limpar!”. Isto é, “não precisa tocar-me! Basta querer para que eu seja curado!”. A frase revela duas enfermidades: a)- a enfermidade da lepra que o tornava impuro; b)- a enfermidade da solidão a qual era condenado pela sociedade e pela religião. Revela ao mesmo tempo a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas enfermidades. Primeiro, para curar a solidão, toca o leproso. E é como se dissesse: “Para mim, tu não és um excluído. Eu te acolho como irmão!”. Em seguida, cura a lepra dizendo: “Quero, fique limpo!”. O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, havia transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e assim revelar um novo rosto de Deus, transgride as normas de sua religião e toca o leproso. Naquele tempo,  quem tocasse num leproso, se tornava impuro diante das autoridades religiosas e diante da lei da época.
  • Reintegrar os excluídos na convivência fraterna. Jesus não somente cura, mas, além disso, quer que a pessoa curada possa conviver de novo com os demais. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para que um leproso fosse de novo acolhido na comunidade, tinha que ter um atestado firmado por um sacerdote. É como hoje. O enfermo sai do hospital só se tiver um atestado médico firmado por um doutor. Jesus obriga o leproso a buscar o documento, para que possa conviver com normalidade. Obriga as autoridades a reconhecer que o homem havia sido curado.
  • O leproso anuncia o bem feito por Jesus, e Jesus se torna um excluído. Jesus havia proibido o leproso de falar da cura. Porém, não conseguiu. O leproso, quando se foi, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente no povoado, tinha que andar pelos arredores, em lugares separados. Por quê? É que Jesus havia tocado num leproso. Por isso, na opinião pública daquele tempo, Jesus, agora também era impuro e tinha que viver afastado de todos. Não podia entrar nas cidades. Porém, Marcos mostra que o povo pouco importou com essas normas oficiais, pois, de todos os lados chegavam pessoas para ver Jesus. Subversão total!
  • Resumindo. Tanto nos anos 70, época na qual Marcos escreve, como hoje, época na qual vivemos, era e continua sendo importante ter diante de nós alguns modelos de como viver e anunciar a Boa Nova de Deus e de como avaliar nossa missão. Nos versos de 16 as 45 do primeiro capítulo de seu evangelho, Marcos descreve a missão da comunidade e apresenta oito critérios para que as comunidades de seu tempo pudessem avaliar sua missão. Objetivo da missão: 1)- Mc 1,16-20: Formar Comunidades; 2)- Mc 1,21-22: Criar consciência crítica; 3)- Mc  1,23-28: Lutar contra o poder do mal; 4)- Mc 1,29-31: Restaurar a vida para o serviço; 5)- Mc 1,32-34: Acolher os marginalizados; 6)- Mc 1,35: Permanecer unido ao Pai; 7)- Mc 1,36-39: Não parar apenas nos resultados e 8)- Mc  1,40-45: Reintegrar os excluídos.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Anunciar a Boa Nova consiste em dar testemunho da experiência concreta que temos de Jesus. O leproso, o que é que anuncia? Conta aos demais o bem feito por Jesus. Só isto! Tudo isto! E é o este testemunho que leva os demais a aceitar a Boa Nova que Jesus nos trás? Qual testemunho que eu estou dando?
  • Para levar a Boa Nova de Deus, as pessoas, não se permite ter medo de transgredir as normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Ainda que isto trouxesse dificuldades para a pessoa, como as conduziu Jesus? Teve este valor?
ORAÇÃO FINAL
  • (Salmo 95,6-7)
  • Hoje falarei de minha fé a pessoa que esteja de meu lado, e a farei saber que somos membros de uma pequena comunidade, também parte do corpo de Cristo.