sexta-feira, 19 de junho de 2015

Lectio Divina - 19/06/15


DIA 19/06/15
PRIMEIRA LEITURA à 2Corintios 11,18;21-30
  • É muito comum que depois de haver participado em um retiro, em alguma experiência espiritual que nos leva a viver a vida cristã de uma maneira mais profunda, que procuremos mostrar esta mudança, mostrar aos demais que Jesus é agora uma experiência em nosso coração. É comum ver pessoas com sua cruz no peito, ou decalques em seus veículos, ou outros elementos que manifestem esta nova experiência do amor de Deus. Paulo, no lugar de todos esses elementos, coloca como prova de sua conversão, todas as perseguições e padecimentos que realizou por Cristo. É, pois, importante que usemos alguns elementos como as cruzes, os quadros e outros objetos para que os demais vejam que fomos tocados pelo amor de Deus, porém, é ainda mais importante que esta mudança se traduza em obras, em atitudes, em zelo pelo Evangelho; essas serão as verdadeiras marcas de que Jesus se instalou em nosso coração.
ORAÇÃO INICIAL
  • Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à Mateus 6,19-23
  • Hoje continuamos nossa reflexão sobre o Sermão do Monte. Antes de ontem e ontem refletimos sobre a prática das três obras de piedade: esmola, oração e jejum. O evangelho de hoje e de amanhã apresenta quatro recomendações sobre a relação com os bens materiais, explicitando assim como viver a pobreza da bem-aventurança: (a)-não acumular (Mt 6,19-21); (b)-ter a visão correta dos bens materiais (Mt6,22-23); (c)-não servir a dois senhores (Mt 6,24); (d)-abandonar a providência divina (Mt 6,25-34). O evangelho de hoje apresenta as duas primeiras recomendações: não acumular bens e não olhar o mundo com maus olhos.
  • Mateus 6,19-21: NÃO ACUMULAR TESOUROS NA TERRA. Se, por exemplo, hoje na televisão é dada a noticia de que no próximo mês faltarão açúcar e café, todos nós vamos comprar o máximo de açúcar e café que nos é possível. Acumulamos, porque não confiamos. Nos quarenta anos de deserto, o povo foi colocado à prova para ver se era capaz de observar a lei de Deus (Ex 16,4). A prova consistia nisto: ver se eram capazes de recolher só o necessário de maná para um único dia e não acumular para o dia seguinte. Jesus disse: “Não amontoeis tesouros na terra, onde existe traça e ferrugem que corroem, e ladrões que socavam e roubam. Melhor é amontoá-los no céu, onde não existe traça nem ferrugem que corroem, nem ladrões que socavem e roubem”. O que é que significa acumular tesouros no céu? Trata-se de saber onde colocar os fundamentos de minha existência. Se os coloco nos bens materiais da terra, sempre corro o perigo de perder o que acumulei. Se eu coloco o fundamento em Deus, ninguém vai poder destruí-lo e terei a liberdade interior de compartilhar com os demais os bens que possuo. Para que isto seja possível e viável, é importante que se acredite numa convivência comunitária que favoreça o compartilhar e a ajuda mútua, e na qual a maior riqueza ou tesouro não é a riqueza material, mas, a riqueza e o tesouro da convivência fraterna nascida da certeza trazida por Jesus de que Deus é Pai/Mãe de todos. “Onde está teu tesouro (riqueza), ali está teu coração!”.
  • Mateus 6,22-23: A LÂMPADA DO CORPO É O OLHO. Para entender o que Jesus pede é necessário ter os olhos novos. Jesus é exigente e pede muitas coisas: não acumular (6,19-21), não servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo (6,24), não preocupar-se com o que bebemos e comemos (6,25-34). Estas recomendações exigentes tratam daquela parte da vida humana, onde as pessoas têm mais angustias e preocupações. É também a parte do Sermão do Monte que é mais difícil de entender e praticar. Por isto Jesus disse: “Se teu olho está mau,...”. Alguns traduzem olho “mal” e o olho “são”. Outros traduzem olho “mesquinho” e olho “generoso”. É a mesma coisa. Na realidade, a pior enfermidade que se pode imaginar é uma pessoa fechada em si mesma e em seus bens, e a confiança que tem só em seus bens. É a enfermidade da mesquinhez! Quem olha ávida com este olhar viverá na tristeza e na escuridão. O remédio para curar esta enfermidade é a conversão, a mudança de mentalidade e de ideologia. Colocando o fundamento da vida em Deus, o olhar se torna generoso e a vida se torna luminosa, pois, faz nascer o compartilhar e a fraternidade.
  • JESUS QUER UMA MUDANÇA RADICAL. Quer a observância da lei do ano sabático, onde se diz que na comunidade dos que acreditam, não pode haver pobres (Dt 15,4). A convivência humana deve organizar-se de tal maneira que já não é necessário preocupar-se com a comida, com a bebida, com a roupa e com a casa, com a saúde e com a educação (Mt 6,25-34). Porém, isto é possível só se todos buscarmos primeiro o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33). O Reino de Deus é permitir que Deus reine: é imitar Jesus (Mt 5,48). A imitação de Deus leva a compartilhar com justiça os bens e leva o amor criativo, que engendra a verdadeira fraternidade. A Providência Divina tem que ser mediada pela organização fraterna. Só assim é possível desfazer-nos de todas as preocupações para o amanhã (Mt 6,34).
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Jesus disse: “Onde está tua riqueza, ali estará teu coração”. Onde está minha riqueza: no dinheiro ou na fraternidade?
  • Qual é a luz que tenho em meus olhos para olhar a vida, os acontecimentos?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 33)
  • Encomendarei  a Jesus os padecimentos que me venham pela fiel fé a seu evangelho e elevarei uma oração para que Ele me console e me ajude a permanecer fiel.





quinta-feira, 18 de junho de 2015

Lectio Divina - 18/06/15


DIA 18/06/15
PRIMEIRA LEITURA à 2Corintios 11,1-11
  •  Em meio a este mundo cheio de confusão onde se levantam profetas por toda parte, com novas e diferentes doutrinas, como saber qual é a verdade? A resposta é muito simples: a verdade está na Igreja. Jesus não unicamente nos deixou a Escritura, mas, colocou os pastores na figura de nossos bispos, e de maneira particular Pedro na figura do Papa para que, guiados pela luz do Espírito e em concordância com a Tradição, todos tenham discernimento e nos levem sempre à beber das águas que dão Vida. Por isso, quem se separa da Igreja, corre o risco de perder-se e de criar e aceitar doutrinas errôneas. Só na Igreja sabemos que estamos seguindo ao Bom Pastor, e que o Evangelho e sua interpretação é a que Jesus quis e quer para todos e cada um de seus discípulos. Fora da comunhão eclesial com o Bispo, quem pode discernir se o que leio na Escritura é verdade? Inclusive, quem pode esclarecer-me que a própria Bíblia é “Palavra de Deus”? Santo Agostinho dizia: “Eu acredito na Escritura, porque é minha Mãe Igreja quem me ensina e me afirma que é verdade”. Não é fácil aceitar alguns dos ensinamentos da Igreja (sobretudo, na questão de justiça e moral), no entanto, nossa Mãe está unicamente fazendo é ser fiel a mensagem que Jesus lhe encomendou.

ORAÇÃO INICIAL
  • Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à Mateus 6,7-15
  • O evangelho de hoje nos apresenta a oração do Pai Nosso, o Salmo que Jesus nos deixou. Existem duas redações do Pai Nosso: a de Lucas (Lc 11,1-4) e a de Mateus (Mt 6,7-13). A redação de Lucas é mais breve. Lucas escreve para as comunidades que vinham do paganismo. Procura ajudar as pessoas que estão iniciando o caminho da oração. No evangelho de Mateus, o Pai Nosso está naquela parte do Sermão do Monte, onde Jesus orienta aos discípulos e as discípulas na prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum (Mt 6,16-18). O Pai Nosso é parte de uma catequese para judeus convertidos. Eles já estavam acostumados a rezar, porém, tinham certos vícios que Mateus procura corrigir. No Pai Nosso Jesus resume todo seu ensinamento em sete preces dirigidas ao Pai. Nestes sete pedidos, retoma as promessas do Antigo Testamento e manda pedir ao Pai que Lhe ajude a realizá-las. Os três primeiros falam de nossa relação com Deus. Os outros quatro têm a ver com nossa relação com os demais.
  • Mateus 6,7-8: A INTRODUÇÃO AO PAI NOSSO. Jesus critica as pessoas para quem a oração era uma repetição de fórmulas mágicas, de palavras fortes, dirigidas a Deus para obrigá-lo a responder a seus pedidos e necessidades. Quem reza deve procurar em primeiro lugar o Reino, muito mais que os interesses pessoais. A acolhida da oração por parte de Deus não depende da repetição das palavras, mas sim, da bondade de Deus que é Amor e Misericórdia. Ele quer nosso bem e conhece nossas necessidades, antes que recitemos nossas orações.
  • Mateus 6,9ª: AS PRIMEIRAS PALAVRAS: “Pai Nosso, que estás no céu!”. Abba, Pai, é o nome que Jesus usa para dirigir-se a Deus. Expressa a intimidade que tinha com Deus e manifesta a nova relação com Deus que deve caracterizar ávida da pessoa nas comunidades cristãs (Gl 4,6;Rm 8,15). Mateus acrescenta ao nome do Pai o adjetivo “nosso” e a expressão “estás no Céu”. A oração verdadeira é uma relação que nos une ao Pai, aos irmãos e a s irmãs e a natureza. A familiaridade com Deus não é intimista, mas sim, expressa a consciência de pertencer à grande família humana, da qual participam todas as pessoas, de todas as raças e credos: Pai Nosso. Rezar ao Pai e entrar na intimidade com Ele, é também colocar-se em sintonia com os gritos de todos os irmãos e irmãs. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. A experiência de Deus como Pai é o fundamento da fraternidade universal.
  • Mateus 6,9b-10: AS TRÊS PETIÇÕES PELA CAUSA DE DEUS: o Nome, o Reino, a Vontade. Na primeira parte do Pai Nosso, pedimos para que se restaure nossa relação com Deus. Para restaurar a relação com Deus, Jesus pede (a)-a santificação do Nome revelado no Êxodo na ocasião da libertação do Egito; (b)-pede a vinda do Reino, esperado pelas pessoas depois do fracasso da monarquia; (c)-pede o cumprimento da Vontade de Deus, revelada na Lei que estava no centro da Aliança. O Nome, o Reino, a Lei: são três eixos tirados do Antigo Testamento que expressam como deve ser a nova relação com Deus. As três petições mostram que é preciso viver na intimidade com o Pai, fazendo com que seu Nome seja conhecido e amado, que seu Reino de amor e de comunhão se torne realidade, e que se faça sua Vontade assim na terra como no céu. No céu, o sol e a estrelas obedecem a lei de Deus e acreditam na ordem do universo. A observância da lei Deus “assim na terra como no céu” tem que ser a fonte e o espelho de harmonia e de bem estar em toda a criação. Esta relação renovada com Deus, se torna visível na relação renovada entre nós que, por sua vez, é objeto de quatro pedidos mais: o pão de cada dia, o perdão das dívidas, o não cair em tentação e a libertação do Mal.
  • Mateus 6,11-13: OS QUATRO PEDIDOS PELA CAUSA DOS IRMÃOS: Pão, Perdão, Vitória, Liberdade. Na segunda parte do Pai Nosso, pedimos que seja restaurada e renovada a relação entre as pessoas. Os quatro pedidos mostram como devem ser transformadas as estruturas da comunidade e da sociedade para que todos os filhos e filhas de Deus vivam com igual dignidade. Pão de cada dia: O pedido do “Pão de cada dia” (Mt 6,11) lembra o maná de cada dia no deserto (Ex 16,1-36). O maná era uma “prova” para ver se a gente era capaz de caminhar segundo a Lei do Senhor (Ex 16,4), isto é, se era capaz de acumular comida só para um dia como sinal de fé que a providência divina passa pela organização fraterna. Jesus convida a realizar um novo êxodo, uma nova convivência fraterna que garanta o pão para todos. O pedido de “perdão das dívidas” (6,12) lembra o ano sabático que obrigava aos credores o perdão das dívidas aos irmãos (Dt 15,1-2). O objetivo do ano sabático e do ano jubilar (Lv 25,1-22) era de desfazer as desigualdades e começar de novo. Como rezar hoje: “Perdoa nossas ofensas assim como nós perdoamos a nossos devedores?”. Os países ricos, todos eles cristãos, se enriquecem graças à divida externa dos paises pobres. Não cair em Tentação: o pedido “não cair em tentação” (6,13) lembra os erros cometidos no deserto, onde o povo caiu em tentação (Ex 18,1-7; Nm 20,1-13; Dt 9,7-29). É para imitar Jesus que foi tentado e venceu (Mt 4,1-17). No deserto, a tentação levava a pessoa a seguir pelos caminhos, a voltar atrás, a não assumir o caminho da libertação e a reclamar de Moisés que o conduzia a liberdade. Libertação do Mal: o mal é o Maligno, Satanás, que procura desviar e que, de muitas maneiras, procura levar as pessoas a não seguir o rumo do Reino, indicado por Jesus. Tentou Jesus para abandonar o Projeto do Pai e que fosse o Messias conforme as idéias dos fariseus, dos escribas e de outros grupos. O Maligno afasta Deus e é motivo de escândalo. Entra em Pedro (Mt 16,23) e tenta Jesus no deserto. Jesus o vence (Mt 4,1-11).
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Jesus disse “perdoa nossas dívidas”, porém, hoje rezamos “perdoa nossas ofensas”. O que é mais fácil: perdoar as ofensas ou perdoar as dívidas?
  • Como você costuma orar o Pai Nosso: mecanicamente ou colocando toda tua vida e teu compromisso nele?
ORAÇÃO FINAL

  • (SALMO 110)
  • Revisarei os textos que leio, procurarei documentos de autores cristãos, para não separar-me dos ensinamentos de minha Mãe Igreja.