terça-feira, 3 de abril de 2012

Lectio Divina - 03/04/12





TERÇA-FEIRA - 03/04/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaias 49,1-6

• Novamente o Senhor nos lembra que é Ele precisamente quem vence nossas batalhas, que em vão nos esforçamos, quando é o seu poder que nos dá a vitória. Deus nos acolheu e nos chamou para viver em sua plenitude, por isso, o grande erro do homem é querer ser auto-suficiente, procurar a independência de tudo e de todos, inclusive do próprio Deus. Precisamente com Deus somos mais que vencedores; para isto Jesus morreu e ressuscitou, para que tenhamos a vitória sobre nossos pecados e debilidades. Aproveitemos esta semana para intensificar nossa relação com Deus. Conheçamo-lo mais a cada dia e não só de “ouvido”, mas, como uma experiência pessoal. Preparemo-nos constantemente, intensificando nossa oração e buscando para que vitória de Deus se manifeste em nossa caridade para com os demais.



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno, concede-nos participar tão vivamente nas celebrações da paixão do Senhor, que alcancemos teu perdão. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

João 13,21-33.36-38

• Estamos no segundo dia da Semana Santa. Os textos do evangelho destes dias nos confrontam com os fatos terríveis que levaram à detenção e a condenação de Jesus. Os textos nos trazem só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, porém, não nos relatam as traições e negações dos discípulos que possibilitaram a detenção de Jesus por parte das autoridades e contribuíram enormemente para aumentar o sofrimento de Jesus.
• João 13,21: O ANUNCIO DA TRAIÇÃO. Depois de haver lavado os pés dos discípulos (Jo 13,2-11) e de haver falado da obrigação que temos de lavarmos os pés uns dos outros (Jo 13,12-16), Jesus se comove profundamente. E não era para menos. Enquanto Ele estava fazendo aquele gesto de total entrega de si mesmo, a seu lado um discípulo estava tramando como atraiçoá-lo naquela mesma noite. Jesus expressa sua comoção e diz: “Em verdade vos digo: um de vós me entregará”. Não disse: “Judas me entregará”, mas sim, “um de vós”. Alguém do circulo de amizade será o traidor.
• João 13,22-25: A REAÇÃO DOS DISCÍPULOS. Os discípulos se assustam. Não esperavam esta declaração tão séria de que um deles o trairia. Pedro faz um sinal à João e pergunta a Jesus quem dos doze ia cometer a traição. Sinal de que não entendia quem poderia ser o traidor. Ou seja, sinal de que a amizade entre eles não havia chegado, a mesma transparência de Jesus para com eles (cf. Jo 15,15). João se inclina próximo de Jesus e pergunta: “Quem é?”.
• João 13,26-30: JESUS INDICA JUDAS. Jesus disse: “É aquele a quem Eu der o pão que eu vou molhar”. Aquele a quem vou dar um pedaço de pão molhado. Toma um pedaço de pão, o molha e o dá a Judas. Era um gesto comum e normal que os participantes de uma ceia costumavam ter entre eles. E Jesus diz a Judas: “O que vai fazer, faça-o logo!”. Judas tinha uma bolsa comum. Era o encarregado de comprar as coisas e dar esmola aos pobres. Por isso, ninguém percebeu nada de especial no gesto e na palavra de Jesus. Nesta descrição do anuncio da traição está uma evocação do salmo em que o salmista se queixa do amigo que o traiu: “Até meu amigo fiel no qual confiava e, que meu pão compartilhava, me trata com desprezo” (Sl 41,10, cf. Sl 55,13-15). Judas percebe que Jesus estava sabendo de tudo (cf. Jo 13,18). No entanto, não volta atrás, e se mantém na decisão de trair Jesus. É neste momento que ocorre a separação entre Judas e Jesus. João disse que Satanás entrou nele. Judas se levantou e se foi. Colocou-se ao lado do adversário (satanás). João comenta: “Era de noite”. Era a escuridão.
• João 13.31-33: COMEÇA A GLORIFICAÇÃO DE JESUS. É como se a história houvesse esperado este momento de separação entre a luz e as trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entram em Judas quando decide executar aquilo que está tramando. Neste mesmo instante se faz a luz em Jesus que declara: “Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado Nele. Se Deus foi glorificado Nele, Deus também se glorificará em si mesmo e o glorificará agora!”. O que vai acontecer daqui em diante é contagem regressiva. As grandes decisões já foram tomadas, tanto de parte de Jesus (Jo 12,27-28) como de parte de Judas, agora. Os fatos se precipitam. E Jesus avisa: “Filhos meus, pouco tempo vou estar convosco”. Falta pouco para que se realize o passo, a Páscoa.
• João 13,34-35: O NOVO MANDAMENTO. O evangelho de hoje omite estes dois versos sobre o novo mandamento do amor e passa a falar do anúncio da negação de Pedro.
• João 13,36-38: ANUNCIO DA NEGAÇÃO DE PEDRO. Junto com a traição de Judas, o evangelho trás também a negação de Pedro. São dois fatos que farão Jesus sofrer mais. Pedro disse que está disposto a dar à vida por Jesus lhe chama à realidade: “Quer dar tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo antes que tu me tenhas negado três vezes” (Mc 14,30). Todo mundo sabe que o canto do galo é rápido. Quando amanhece o galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os demais galos cantam. Pedro é mais rápido na negação que o canto do galo.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Judas, amigo, se torna traidor. Pedro, amigo, se torna negador. E eu?
• Colocando-me na situação de Jesus: como se enfrenta a negação e a traição, o desprezo e a exclusão?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 70)
• Hoje, à qualquer tentação, direi em meu interior: sou mais que vencedor em Cristo e resistirei sem cair.



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Lectio Divina - 02/04/12

SEGUNDA-FEIRA - 02/04/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaias 42,1-7


• O profeta Isaias nos convida durante esta semana a voltar nossos olhos para o eleito de Deus, para seu Messias e Salvador. Ao ver Nele a imagem de um homem eliminado pelo pecado da humanidade, um homem que ofereceu sua vida pela salvação de todos e para cada um de nós. Para o homem de hoje, tão acostumado a ter os olhos fixos nas coisas do mundo, tão preocupado pelos problemas que o circundam, esta semana de repouso, pode ser uma boa oportunidade para que seus olhos se voltem a fixar em Jesus, naquele que nos deu a vida morrendo por cada um de nós. Certamente as coisas do mundo são importantes, porém, é ainda mais importante que nossa vida esteja centrada em Cristo, já que isto é o que faz com que todas as demais coisas tenham seu justo valor. Não deixes que esta semana seja uma semana a mais, volte teus olhos para Jesus, ore e leia sua Palavra. Oxalá possa fazer isso com toda tua família!



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso, olhe para a fragilidade de nossa natureza e levanta nossa débil esperança com a força da paixão de teu Filho. Que vive e reina contigo.



REFLEXÃO

João 12,1-11

• Estamos entrando na Semana Santa, na semana da páscoa de Jesus, de sua passagem deste mundo ao Pai (Jo 13,1). A liturgia coloca diante de nós o começo do capítulo 12 do Evangelho de João, que enlaça o Livro dos Sinais (cc 1-11) e o Livro da Glorificação (cc 13,21). No final do “Livro dos Sinais” aparece com clareza a tensão entre Jesus e as autoridades religiosas da época (Jo 10,19-31.39) e o perigo que Jesus corre. Várias vezes procuraram matá-lo (Jo 10,31; 11,8.53; 12,10). Tanto é assim que Jesus se vê obrigado a levar uma vida clandestina, pois, podiam detê-lo a qualquer momento (Jo 10,40; 11,54).
• João 12,1-2: JESUS, PERSEGUIDO PELOS JUDEUS, VAI À BETÂNIA. Seis dias antes da páscoa, Jesus via para Betânia à casa de seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Betânia significa “Casa da Pobreza”. Ele estava sendo perseguido pela polícia (Jo 11,57). Querem matá-lo (Jo 11,50). Porém, ainda sabendo que a polícia estava atrás de Jesus, Maria, Marta e Lázaro recebem Jesus em casa e lhe oferecem comida. Acolher uma pessoa perseguida e oferecer-lhe comida era perigoso. Porém, o amor supera o medo.
• João 12,3: MARIA UNGE JESUS. Durante a refeição, Maria unge os pés de Jesus com meio litro de perfume de nardo puro (cf. 7,36-50). Era um perfume caro, muito caro, de trezentos denários. Imediatamente, seca os pés de Jesus com seus cabelos. A casa inteira ficou perfumada. Em todo este episódio, Maria não fala. Só age. O gesto cheio de simbolismo fala por si. Lavando os pés, Maria se converte em servidora. Jesus repetirá esse mesmo gesto na última ceia (Jo 13,5).
• João 12,4-6: REAÇÃO DE JUDAS. Judas critica o gesto de Maria. Afirma que é um desperdício. De fato, trezentos denários era o salário de trezentos dias! Foi assim que o salário de quase um ano inteiro foi gasto de uma só vez! Judas pensa que o dinheiro deveria ter sido dado aos pobres. O evangelista comenta que Judas não tinha nenhuma preocupação pelos pobres, mas, era um ladrão. Tinha a bolsa comum e roubava dinheiro. Juízo forte que condena Judas. Não condena a inquietude pelos pobres, mas sim, a hipocrisia que usa os pobres para promover-se e enriquecer-se. Segundo seus interesses egoístas, Judas pensa só no dinheiro. Por isto, não percebe o que estava se passando no coração de Maria. Jesus conhece o coração e defende Maria.
• João 12,7-8: JESUS DEFENDE A MULHER. Judas olha o gasto e critica a mulher. Jesus olha o gesto e defende a mulher: “Deixe-a. Que ela o conserve para o dia de minha sepultura!”. E depois Jesus acrescenta: “Porque pobres sempre tereis entre vós”. Qual dos dois vivia mais próximo de Jesus: Judas ou Maria? Como discípulo, Judas convivia com Jesus já fazia três anos, vinte e quatro horas por dia. Tomava parte do grupo. Maria se encontrava com Ele só uma ou duas vezes ao ano, na ocasião das festas, quando Jesus ia à Jerusalém e a visitava. Mas, a convivência sem amor não nos torna conhecidos. Impede ver. Judas era cego. Muita gente convive com Jesus e até o louva com cânticos, porém, não o conhece de verdade, nem o revela (cf. Mt 7,21). Duas afirmações de Jesus merecem um comentário detalhado: (a)-“Pobres sempre tereis”, e (b)-“Deixe-a. Que ela o conserve para o dia de minha sepultura’.
• POBRES SEMPRE TERÃO. Jesus quis dizer que não devemos preocupar-nos com os pobres, visto que vai sempre vai haver gente pobre? A pobreza é um destino imposto por Deus? Como entender esta frase? Naquele tempo, as pessoas conheciam o Antigo Testamento de memória. Bastava que Jesus citasse o começo de uma frase do AT, e a pessoas já sabiam o resto. O começo desta frase dizia: “Os pobres os tereis sempre convosco!” (Dt 15,11ª). O resto da frase que as pessoas conheciam e que Jesus quis lembrar, era esta: “Por isto, os ordeno: deves abrir tua mão a teu irmão, para aquele que é indigente e pobre de tua terra!” (Dt 15,11b). Segundo esta Lei, a comunidade deve acolher os pobres e compartilhar com eles seus bens. Porém, Judas, em vez de dizer “abre a mão em favor do pobre” e compartilhe com eles teus próprios bens, queria vender o perfume de Maria por trezentos denários e usá-los para ajudar os pobres. Jesus cita a Lei de Deus que ensinava o contrário. Quem, igual Judas, faz campanha com o dinheiro da venda dos bens dos demais, não se incomoda. Porém, aqueles que, como Jesus, insiste na obrigação de acolher os pobres e compartilhar com eles seus bens, este se incomoda e corre o perigo de ser condenado.
• QUE O GUARDE PARA O DIA DE MINHA SEPULTURA. A morte na cruz era o castigo terrível e exemplar, adotado pelos romanos para castigar os subversivos que se opunham ao império. Uma pessoa condenada a morte de cruz não recebia sepultura e não podia ser ungida, pois, ficava pendurado na cruz até que os animais comessem seu cadáver, e recebia sepultura rasa de indigente. Além disso, segundo a Lei do Antigo Testamento, tinha que ser considerada como, “maldita por Deus” (Dt 21,22-23). Jesus ia ser condenado à morte e morte de cruz, conseqüência de seu compromisso com os pobres e de sua fidelidade ao Projeto do Pai. Não ia ter um enterro. Por isso, depois de morto, não ia poder ser ungido. Sabendo isto, Maria se antecipa e o unge antes de ser crucificado. Com este gesto, indica que aceitava Jesus como messias, ainda que fosse crucificado! Jesus entende o gesto da mulher e o aprova.
• João 12,9-11: A MULTIDÃO E AS AUTORIDADES. Ser amigo de Jesus pode ser perigoso. Lázaro corre perigo de morte por causa da vida nova que recebeu de Jesus. Os judeus decidiram matá-lo. Lázaro vivo era a prova viva de que Jesus era o Messias. Por isto, a multidão o procurava, já que as pessoas queriam experimentar de perto a prova viva do poder de Jesus. Uma comunidade viva corre perigo de vida porque é prova viva da Boa Nova de Deus.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Maria foi maltratada por Jesus. Alguma vez você já foi maltratado? Como reagiu?
• O que é que ensina o gesto de Maria? Qual o tipo de alerta que nos coloca a reação de Judas?



ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 26)
• Hoje estarei muito atento para descobrir Jesus nas pessoas que me rodeiam, e cada vez que conseguir descobri-lo, eu demonstrarei tacitamente o muito que lhe amo.