quarta-feira, 2 de abril de 2014

Lectio Divina - 02/04/14


QUARTA-FEIRA -02/04/2014


PRIMEIRA LEITURA: Isaias 49,8-15


Essa passagem tem uma estrutura bem equilibrada. Começa com a procissão triunfal de volta a Israel. A parte central da profecia é uma reafirmação para Sião. Depois, o poeta volta à reunião dos exilados, dessa vez, vistos da posição vantajosa de Sião. Finalmente, conclui com dois breves oráculos que afirmam o poder salvífico do Senhor. Os versos mais notáveis desta passagem são com certeza os de 49,15 “Porventura a mulher esquece sua criança de peito...?”. Juntamente com a masculina, a experiência feminina serve de analogia para Deus. A analogia da mãe é, então, transferida para Sião. A abundância de filhos é indicativa da idéia hebraica de salvação – abundância de vida na terra de Israel.


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor, nosso Deus, que concedes aos justos o prêmio de seus méritos e aos pecadores que fazem penitência lhes perdoa seus pecados, tem piedade de nós e dá-nos, por humilde confissão de nossas culpas, tua paz e teu perdão. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 5,17-30


O evangelho de João é distinto dos outros três. Revela uma dimensão mais profunda que só a fé consegue perceber nas palavras e nos gestos de Jesus. Os Pais da Igreja diziam que o Evangelho de João é “espiritual”, revela aquilo que o Espírito nos mostra nas palavras de Jesus (cf. Jo 16,12-13). Um bonito exemplo desta dimensão espiritual do evangelho de João é a passagem que meditamos hoje.

João 5,17-18: Jesus explicita o profundo significado da cura do paralítico. Criticado pelos judeus por haver curado em dia de sábado, Jesus responde “Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho”. Os judeus ensinavam que no dia de sábado não se podia trabalhar, pois, o próprio Deus descansou e não trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11). Jesus afirma o contrário. Ele disse que o Pai não parou de trabalhar “até agora”. Por isto, Jesus também trabalha até no dia de sábado. Ele imita o Pai! Para Jesus, a obra criadora não terminou. Deus continua trabalhando, sem cessar, dia e noite, sustentando o universo e a todos nós. Jesus colabora com o Pai dando continuidade na obra da criação, para que um dia todos possam entrar no repouso prometido. A reação dos judeus foi violenta. Queriam matá-lo por dois motivos: por negar o sentido do sábado, e por considerar-se igual a Deus.

João 5,19-21: O amor deixa transparecer a ação criadora de Deus. Estes versículos revelam algo do mistério da relação entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive em atenção permanente diante do Pai. Aquilo que vê o Pai fazer, o faz também. Jesus é o reflexo do Pai. É a cara do Pai! Esta total atenção do Filho ao Pai, faz com que o amor do Pai possa entrar no Filho, e através do Filho, pode realizar sua ação no mundo. A grande preocupação do Pai é vencer a morte e dar vida. A cura do paralítico foi uma maneira de tirar as pessoas da morte e fazê-las viver. É uma maneira de dar continuidade à obra criadora do Pai.

João 5,22-23: O Pai não julga, porém, confia no juízo do filho. O decisivo na vida é a maneira na qual nos colocamos diante do Criador, pois, dependemos radicalmente Dele. O Criador se faz presente para nós em Jesus. Em Jesus habita a plenitude da divindade (cf. Col 1,19). Por isto, expressamos nossa postura diante de Deus Criador na maneira em nos definimos diante de Jesus. O que o Pai quer é que os conheçamos e o honremos na revelação que Ele faz se si mesmo em Jesus.

João 5,24: A vida de Deus em nós através de Jesus. Deus é vida, é força criadora. Ali onde Ele se faz presente, a vida renasce. Ele se faz presente mediante a Palavra de Jesus. Quem ouve a palavra de Jesus como enviado de Deus já está ressuscitado. Já recebeu o toque vivificador que o leva além da morte. Já passou da morte para a vida. A cura do paralítico é a prova disso.

João 5,25-29: A ressurreição já está acontecendo. Os mortos somos todos nós que, todavia, não nos abrimos a voz de Jesus que vem do Pai. Porém, “chega a hora (já estamos nela), em que os mortos ouviram a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Com a Palavra de Jesus, vinda do Pai iniciou-se uma nova criação. Já está a caminho. A palavra criadora de Jesus vai alcançar todos, também aos que já morreram. Eles ouviram e morreram. 

João 5,30: Jesus é o reflexo do Pai. “Eu não posso fazer nada por minha conta: julgo segundo o que ouço; e meu juízo é justo, porque não procuro minha vontade, mas sim, a vontade daquele que me enviou”. Esta frase final é um resumo de tudo o que foi refletido anteriormente. Esta era a idéia que as comunidades do tempo de João tinham e irradiavam a respeito de Jesus.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Como imaginas a relação entre Jesus e o Pai?
Como vive a fé na ressurreição?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 144) 
Hoje procurarei alguém verdadeiramente necessitado de esperança, fé e amor, e lhe direi claramente que Deus lhe ama, que tem um plano para sua vida. 





terça-feira, 1 de abril de 2014

Lectio Divina - 01/04/14


TERÇA-FEIRA -01/04/2014

PRIMEIRA LEITURA: Ezequiel 47,1-9.12

Jesus veio para fazer tudo novo, para dar-nos uma vida nova. Da mesma maneira como a água da profecia de Ezequiel mudava o mar em água doce, assim o amor e a graça de Deus transformam nossa amargura, solidão e frustração em paz e alegria. Nos fecunda para que nossa vida estéril dê fruto e para que este fruto permaneça. Esta pausa que faz a Quaresma nos “foca” em nossa vida cristã e nos faz desejar com todas as nossas forças que os frutos da redenção se façam presentes em nós, em nossa vida e em nossa família. A Água pura do Espírito vivifica, renova e cura. Se quiseres que este efeito vivificador de Deus vá se realizando em sua vida, incremente um pouco tua oração, verás então grandes e profundas mudanças em tua vida.


ORAÇÃO INICIAL 

Pedimos-te Senhor, que as práticas santas desta Quaresma disponham o coração de teus fiéis para celebrar dignamente o mistério pascal e anunciar à todos os homens a grandeza de tua salvação. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 5,1-16

O evangelho de hoje descreve como Jesus cura um paralítico que ficou esperando 38 anos para que alguém lhe ajudasse a chegar a água da piscina para curar-se. Trinta e oito anos! Diante essa ausência total de solidariedade, o que é que faz Jesus? Não respeita a lei do sábado curando o paralítico. Hoje, faltam pessoas que atendam os enfermos nos países pobres, muita gente experimenta essa mesma falta de solidariedade. Vivem no abandono total, sem ajuda, sem solidariedade por parte de ninguém. 

JOÃO 5,1-2: JESUS VAI À JERUSALÉM. Na ocasião de uma festa dos judeus, Jesus vai para Jerusalém. Havia ali, próximo ao Templo, uma piscina com cinco pórticos ou passagens. Naquele tempo, o culto no Templo exigia o uso de muita água para os numerosos animais que eram sacrificados, sobretudo, nas grandes festas. Por isto, ao lado do Templo, havia diversas cisternas com mais de um milhão de litros de água. E próximo dali, graças a abundância de água, havia um balneário público, onde os enfermos se aglomeravam à espera de ajuda ou de cura. A arqueologia informa que, naquele mesmo lugar do Templo, havia outro lugar onde os escribas ensinavam a lei aos estudantes. Por um lado, o ensinamento da Lei de Deus. Por outro, o abandono dos pobres. E a água purificava o Templo, porém não purificava as pessoas.

JOÃO 5,3-4: A SITUAÇÃO DOS ENFERMOS. Esses enfermos se sentiam atraídos pelas águas do balneário. Diziam que um anjo removia as águas e o primeiro que chegasse depois desse movimento do anjo ficaria curado. Disto com outras palavras, os enfermos se sentiam atraídos por falsas esperanças. Pois, a cura, era só para uma única pessoa. Como as loterias de hoje! Só uma pessoa ganha o prêmio! A maioria somente paga e não ganha nada. E nesta situação de total abandono, ali no balneário popular, Jesus encontra os enfermos.

JOÃO 5,5-9: JESUS CURA NO DIA DE SÁBADO. Bem próximo do lugar onde se ensinava a observância da Lei de Deus, um paralítico ficou por 38 anos a espera de alguém que lhe ajudasse a chegar até a água para que se curasse. Este fato revela a absoluta falta de solidariedade e de acolhida aos excluídos. O número 38 indicava a duração de uma geração (Dt 2,14). É toda uma geração que não chega a experimentar nem solidariedade, nem misericórdia. A religião da época não era capaz de revelar o rosto acolhedor e misericordioso de Deus. Diante desta situação dramática, Jesus não observa a lei do sábado e se ocupa do paralítico dizendo: “Toma tua cama e anda!”. O homem agarra sua cama e se vai, e Jesus desaparece no meio da multidão.

JOÃO 5,10-13: DISCUSSÃO DO HOMEM CURADO COM OS JUDEUS. Chegam imediatamente alguns judeus e criticam o homem por carregar sua cama no dia de sábado. O homem não sabe responder a pergunta de quem o havia curado. Não conhecia Jesus. Isto significa que Jesus, ao passar por esse lugar de pobres e enfermos, viu aquele homem, percebeu a situação dramática na qual se encontrava, cura-o. Não faz isto para que se converta, nem para que acredite em Deus. O faz, apenas para ajudar-lhe. Queria que o homem pudesse experimentar um pouco de amor e solidariedade mediante sua ajuda e seu afeto. 

JOÃO 5,14-16: O REENCONTRO COM JESUS. Ao ir ao Templo no meio da multidão, Jesus encontra a mesma pessoa e lhe diz: “Veja, recobrou a saúde! Não peques mais para que não te aconteça pior!”. Naquele tempo, a pessoa dizia: “A enfermidade é castigo de Deus! Se tens paralisia, é sinal de que Deus não está bem contigo”. Jesus não concorda com este modo de pensar. Ao curar o homem, estava dizendo o contrário: “Tua enfermidade não é um castigo de Deus. Deus está contigo”. Uma vez curado, o homem deve tratar de não pecar mais, para que não lhe aconteça algo pior. Porém, ingenuamente, o homem vai dizer aos judeus que Jesus era quem lhe havia curado. Os judeus começam a perseguir Jesus porque faz coisas no dia de sábado. No Evangelho de amanhã veremos como continua.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Você já teve uma experiência semelhante a do paralítico, ficando algum tempo sem ajuda? Como é a situação de assistência aos enfermos no lugar onde você vive? Existem sinais de solidariedade?
O que isto ensina a nós?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 45)
Hoje procurarei alguma oração do Espírito Santo para ser repetida constantemente o dia todo. E, além disso, procurarei ser benção para alguma pessoa a meu redor.