quinta-feira, 13 de março de 2014

Lectio Divina - 13/03/14


QUINTA-FEIRA -13/03/2014


PRIMEIRA LEITURA: Ester 4,17

A Quaresma nos questiona sobre nosso crescimento e maturidade na fé. É que a maioria de nós diz que somos homens e mulheres de fé, todavia, só quando a crise cala fundo é que realmente podemos saber até onde nossa fé cresceu. Este texto nos mostra uma mulher cuja fé é de total confiança e abandono. É o relato de alguém que ouviu que o Deus de seus pais é um Deus poderoso que não abandona seu povo em situações difíceis. Agora é o momento de experimentá-lo, porém, para isso tem que cofiar cegamente que só Ele pode ajudar. Poderíamos dizer que a fé é como uma conta no banco, da qual poderemos depender no momento da necessidade. Por isso, ainda que, pareça que todos teus atos de piedade, tuas orações e sacrifícios, as horas diante do Santíssimo, a meditação diária da Escritura, etc., ficaram estéreis, lembre que só houve uma inversão que no momento da crise se transformará em graça e luz para tua vida, que te ajudaram a superar todos os obstáculos. Colocar-se nas mãos de Deus também é um exercício que requer prática e a Quaresma se apresenta como um espaço ideal para desenvolvê-lo.


ORAÇÃO INICIAL 

Posto que sem ti nada podemos, concede-nos, Senhor, luz para distinguir sempre o bem e coragem para colocá-lo em prática, a fim de que possamos viver segundo tua vontade. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Mateus 7,7-12


O evangelho de hoje cita uma parte do Sermão do Monte, a Nova Lei de Deus que nos foi revelada por Jesus. O Sermão do Monte tem a seguinte estrutura:

A)-Mateus 5,1-16: A porta de entrada: as bem-aventuranças (Mt 5,1-10) e a missão dos discípulos: ser o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5,12-16).

B)-Mateus 5,17 a 6,18: A nova relação com Deus: a nova justiça (Mt 5,17-48) que não procura méritos na prática da esmola, da oração e do jejum (Mt 6,1-18).

C)-Mateus 6,19-34: A nova relação com os bens da terra: não acumular (Mt 6,19-21), não olhar o mundo com olhos sofredores (Mt 6,22-23), não servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24), não preocupar-se pela comida e a bebida (Mt 6,23-34).

D)-Mateus 7,1-23: A nova relação com as pessoas: não ver o cisco no olho do irmão (Mt 7,1-5): não atirar pérolas aos porcos (Mt 7,6); o evangelho de hoje: não ter medo de pedir coisas à Deus (Mt 7,7-11); e a Regra de Ouro (Mt 7,12); escolher o caminho difícil e estreito (Mt 7,13-14), ter cuidado com os falsos profetas (Mt 7,15-20).

E)-Mateus 7,21-29: Conclusão; não só falar, mas praticar (Mt 7,21-23); a comunidade construída sobre este fundamento ficará bem firme na tempestade (Mt 7,24-27). O resultado destas palavras é uma nova consciência diante dos escribas e dos doutores (Mt 7,28-29).

Mateus 7,7-8: As três recomendações de Jesus. Três recomendações: pedir, procurar e chamar à porta: “Pedi e se vos dará, buscai e achareis, chamai e se os abrirá”. Em geral se pede algo à alguém. A resposta depende tanto da pessoa como da insistência do pedido. Procurar se faz orientando-se para um critério. Quanto melhor for o critério, tanto melhor será a certeza de encontrar o que se busca. Chamar à porta se faz com a esperança de que alguém esteja do outro lado da casa. Jesus complementa a recomendação, oferecendo a certeza da resposta: Porque todo aquele que pede recebe; o que procura, encontra; e o que chama, a porta se abrirá. Isto significa que quando pedimos a Deus, Ele atende nosso pedido. Quando buscamos a Deus, Ele se deixa encontrar (Is 55,6). Quando chamamos a porta da casa de Deus, Ele atenderá.

Mateus 7,9-11: A pergunta de Jesus as pessoas: “Por acaso existe alguém entre vocês que o filho lhe pede pão e vocês lhes dão uma pedra; ou, se pede um peixe, lhes dão uma cobra?”. Falando aos pais e as mães de família, lhes pede que façam referencia à vida de cada dia. Nas entrelinhas, das perguntas se advinha a resposta das pessoas que gritam: “Não!”. Pois ninguém dá uma pedra ao filho que pede pão. Não existe um pai ou uma mãe que dê uma serpente ao filho ou a filha que lhe pede um peixe: “Se, pois, vós sendo maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que esta nós céus dará coisas boas aos que lhe pedirem!”. Jesus nos chama de maus para acentuar a certeza de sermos atendidos por Deus quando lhe pedimos algo. Pois, se nós que não somos santos nem santas, sabemos dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu. Esta comparação tem como objetivo tirar-nos as dúvidas a respeito do resultado da oração dirigida a Deus com confiança. Deus nos atenderá! Lucas acrescenta que Deus nos dará o Espírito Santo (Lc 11,13).

Mateus 7,12: A Regra de Ouro. “Portanto, tudo quanto quiseres que vos façam os homens, faça-o também vocês a eles; porque esta é Lei e os Profetas”. Este é o resumo de todo o Antigo Testamento, da Lei e dos profetas. É o resumo de tudo o que Deus nos tem que dizer, o resumo de todo ensinamento de Jesus, mas também, de uma maneira ou de outra, em todas as religiões. Responde ao sentimento mais profundo e mais universal do ser humano.


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Pedir, procurar, chamar à porta: como você ora e como conversa com Deus?
Como você vive a Regra de Ouro?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 138,2-3)
Hoje farei uma visita ao Santíssimo e dedicarei alguns momentos ao Senhor para adorá-lo por sua infinita grandeza e bondade.






quarta-feira, 12 de março de 2014

Lectio Divina - 12/03/14

QUARTA-FEIRA -12/03/2014


PRIMEIRA LEITURA: Jonas 3,1-10


Com esta passagem a escritura nos mostra, através da atitude do Rei de Ninive, o que significa e implica o converter-se de coração. Ao ler a passagem vemos como a primeira coisa que o rei faz é, “levantar-se de seu trono e sentar-se sobre as cinzas”. Com este sinal reconhece que ele não é Deus, e que sua vida (e neste caso, inclusive seu reino) deve ser dirigido pelo único Rei: o próprio Deus. Esta atitude do rei deve servir-nos de exemplo e deixar que Deus sente-se no trono de nosso coração. Isto implica reconhecer que SUA PALAVRA é a única que deve reger nossa vida, a qual não poderá ser realidade se não temos contato com a Sagrada Escritura. Isto nos conduz a um principio de conversão de tomar primeiro a decisão de seguir a palavra de Deus, e tê-la como valor central de nossa vida, e em seguida tomar a decisão de ler e meditar TODOS os dias esta Palavra, com a coragem de obedecer-lhe e fazê-la vida. Que tal te parece tentar?


ORAÇÃO INICIAL 

Pedimos-te Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre para o bem. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 11,29-32

O evangelho de hoje nos apresenta uma acusação muito forte de Jesus contra os fariseus e os escribas. Eles queriam que Jesus desse um sinal, pois não acreditavam nos sinais e nos milagres que estava fazendo. Esta acusação de Jesus continua nos evangelhos dos próximos dias. O meditar estes evangelhos, devemos tomar muito cuidado para não generalizar a acusação de Jesus como se fosse dirigida contra o povo judeu. No passado, a ausência desta atenção contribuiu, lamentavelmente, para aumentar nos cristãos o anti-semitismo que tantos males acarretaram à humanidade ao longo dos séculos. Em vez de levantar o dedo contra os fariseus do tempo de Jesus, é melhor olharmos nos espelho dos textos, para perceber neles o fariseu que vive escondido em nossa Igreja e em cada um de nós, e que merece a mesma crítica por parte de Jesus.

Lucas 11,29-30: O SINAL DE JONAS. “Os ninivitas se levantaram em Juízo com esta geração e a condenaram; porque eles se converteram pela pregação de Jonas, e aqui existe algo mais que Jonas”. Havendo reunido as pessoas, começou a dizer: Esta geração é uma geração malvada; pede um sinal, porém, não lhes será dado outro sinal, senão o sinal de Jonas. O evangelho de Mateus informa que alguns escribas e fariseus: pediram um sinal (Mt 12,38). Queriam que Jesus realizasse para eles um sinal, um milagre, para que pudessem verificar se Ele era mesmo enviado de Deus segundo o que imaginavam. Queriam que Jesus se submetesse aos critérios deles. Não havia neles abertura para uma possível conversão. Porém, Jesus não se submeteu a seus pedidos. O evangelho de Marcos diz que Jesus, diante do pedido dos fariseus, soltou um profundo respiro (Mc 8,12), provavelmente de desgosto e de tristeza diante de tanta cegueira. Porque de nada serve colocar um bonito quadro diante de alguém que não quer abrir os olhos. O único sinal é o sinal de Jonas. “Porque assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o será o Filho do Homem para esta geração”. Como será este sinal do Filho do Homem? O Evangelho de Mateus responde: “Porque da mesma maneira que Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites, assim também o Filho do Homem estará no seio da terra três dias e três noites” (Mt 12,40). O único sinal será a ressurreição de Jesus. Este é o sinal que, no futuro se dará aos escribas e aos fariseus. Jesus, condenado por eles a uma morte de cruz, será ressuscitado por Deus e continuará ressuscitando de muitas maneiras naqueles que acreditam Nele. O sina que converte não são milagres, mas sim, o testemunho de vida!

Lucas 11,31: SALOMÃO E A RAINHA DO MEIO DIA. A alusão a conversão das pessoas de Ninive associa e faz lembrar a conversão da Rainha do Meio Dia: “A rainha do Meio Dia se levantará em Juízo com os homens desta geração e os condenará: porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, mostra como se usava a Bíblia naquele tempo. Era por ocasião. A interpretação principal era esta: “A Bíblia se explica pela Bíblia”. Até hoje, esta é uma das normas mais importantes para a interpretação da Bíblia, sobretudo, para a Leitura Orante da Palavra de Deus. 

Lucas 11,32: AQUI EXISTE ALGO MAIOR QUE JONAS. Depois do afastamento de Salomão e da Rainha do Meio Dia, Jesus volta a falar do sinal de Jonas: “Os ninivitas se levantaram em Juízo com esta geração e a condenaram; porque eles se converteram pela pregação de Jonas, e aqui existe algo maior que Jonas”. Jesus é maior que Jonas, maior que Salomão. Para os cristãos, é o principal segredo para a Escritura (2Cor 3,14-18).


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus critica os escribas e os fariseus que chegavam a negar a evidência tornando-se incapazes de reconhecerem o chamado de Deus nos acontecimentos. E nós, os cristãos de hoje, e eu: merecemos esta mesma critica de Jesus? 
Ninive se converteu diante da pregação de Jonas. Os escribas e os fariseus não se converteram. Hoje, o que acontece provoca mutações e conversões nas pessoas do mundo inteiro: ameaça ecológica, a urbanização desumanizada, o consumismo que massifica e aliena, as injustiças, a violência, etc. Muitos cristãos vivem alheios a estes clamores de Deus que vêm da realidade.



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 51,12-13)
Hoje me aproximarei daquela pessoa que ofendi e lhe pedirei perdão de coração, deixando que o Espírito de Deus seja quem ilumine meus passos para agir com amor.